Baixa de Kassange 



As lendas da Baixa de Kassange, contam em geral, da dificuldade de transpor a escarpa, no lugar onde a serra se quebrou ao meio, e uma das metades afundou.

Mas o que na verdade se passou na Baixa de Kassange, foi decerto mais drástico do que qualquer lenda poderia contar.

Durante séculos, o que ficou na memória dos povos, foi a Baixa, onde Sobas de Kassange concentravam milhares de homens, mulheres e crianças, escravizados, depois de roubados aos seus povoados.

Era nessa Baixa, de vegetação exuberante, onde pululava a vida animal, que os escravos que conseguiam resistir às provações e tratamento bárbaro, eram comercializados como gado, antes da triagem para a Barra do Kuanza, perto de São Paulo da Assumpção de Loanda, ou para a Katumbela, perto de São Philipe de Benguela, estações de descanso e engorda, que antecediam o embarque definitivo para o Brasil, Haiti e Bahamas.

Os escravocratas tinham linhas de avaliação e preferência na aquisição dos escravos.

Os Senegaleses eram apreciados por seu caráter taciturno; os povos de Serra Leoa, Costa do Marfim  e Costa do Ouro, eram considerados rebeldes e desertores. Os Ibo da Nigéria, eram bons trabalhadores, mas propensos ao suicídio e os povos de Angola e Congo eram os mais apreciados, por reunir robustez física a certa passividade.

Os escravos Angolanos eram disputados por fazendeiros do Haiti, das Bahamas e pelos senhores de engenho do Brasil, como mercadoria de primeira qualidade.

Certamente, chegados a essas terras, cantaram ao som das marimbas, tchissanges e batuques, a beleza nostálgica e exuberante da paisagem Angolana.



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