Musserindinde e os foguetes de S. João
Durante
a Guerra da Kissama, um dos desdobramentos da oposição dos Jingas à ocupação
Portuguesa em Angola, o Grande Soba Musserindinde perseguiu e conseguiu
encurralar e cercar os dois pelotões do exército Português perto da Muxima.
Era
o dia 28 de Junho, e as tropas Portuguesas, extenuadas, em franca inferioridade
numérica, desalentadas, preparavam-se para um último e definitivo combate em
que fatalmente pereceriam todos, quando um soldado, fogueteiro de profissão na
vida civil, e ardoroso católico devoto de S. João, a quem, sofrendo de
raquitismo na primeira infância, a mãe oferecera como fiel seguidor em troca da
cura, resolveu fazer uns foguetes para homenagear o santo de sua devoção, S.João,
celebrado pela Igreja Católica nesse dia.
Usou
alguns caniços de mato, e uns restos de pólvora, sem o conhecimento nem
autorização do alferes, e caprichou no preparo.
Espetou
as canas de foguetes no chão e acendeu a mexa, para o simbolismo da sua
homenagem.
Assim
que os foguetes começaram a espocar e iluminar o céu da Kissama, reinou o
pandemônio entre os sitiantes: uma parte depôs armas e se entregou
incondicionalmente aos atônitos soldados, os outros debandaram, e alguns,
impregnados de animismo religioso, se prostraram ao chão em humildade
incontida, sufragando aos novos deuses / espíritos, com um óbvio poder até ali
desconhecido um castigo atenuado.

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