Livro: Já Jogou Aviões de Papel de um Nono Andar ao Quase Alvorecer de Uma Noite Enluarada?


Margareth Drabble, uma escritora, cravou uma frase basilar de uma veracidade inquestionável: “Quando nada é certo, tudo é possível”!
Não há conhecimento acadêmico, seja ele científico ou filosófico, que permita atingir tão profunda capacidade de análise da vida; apenas o conhecimento vivido, empírico.
Tal como o provérbio Umbundu: “Ci simba onjimbu ci yova, ci popy a omanu ciyato – O que está destinado, acontecerá”!
Determinismo? Talvez, mas como negar-lhe a evidência em casos de quase completa improbabilidade, para os quais nos vemos  pouco menos que empurrados nos compassos da vida, num corolário ao Princípio da Incerteza ou Indeterminação de Heinsenberg, que nos diz ser, em Mecânica Quântica, impossível fazer cálculos precisos individuais, de partículas em números astronômicos, sendo por isso necessário que nos resignemos e acreditarmos que tais movimentos só obedecem ao puro acaso.
Antagônico? Não, se considerarmos que o “puro acaso” não é senão a Pan Determinação para que tudo aconteça como está determinado para dar certo, que é o caso da mecânica quântica.
E o que somos nós, senão meras minúsculas partículas em números astronômicos, que se movimentam de forma aparentemente aleatória, num “deixa a vida me levar”, em que então, reconhecidos detalhes no contato vivo e real, depois de passar por traumas e rebeliões, nos resta tão somente tentar chegar á perfeição de jogar aviões de papel de um nono andar, ao amanhecer de uma noite enluarada.
Ah sim, é ficção, um trabalho de pura ficção, se musa houver de deste imbróglio me ajude a sair.
CD Fev,2016 Xitaka Kassange

- Às mulheres que não se miram nos exemplos daquelas mulheres de Atenas, que não se limitam a viver para os seus maridos e aceitam mais duras penas.  A todas quero homenagear com estes escritos, e com a mais profunda admiração.

- No Brasil houve também mulheres guerreiras de que a história evitava dar destaque, as escravas que se rebelavam contra a escravatura e fugiam para os quilombos, optando por uma curta vida de combate, em vez de uma vida mais longa de submissão, mulheres de combatividade e liderança notáveis que substituíam os companheiros que eram mortos, e eram seguidas pelos liderados com confiança e comando, tivemos Teresa de Benguela, Luísa Mahim,  Dandara dos Palmares...
No Brasil teve mulheres que partiram pra luta, para defenderem os companheiros, maridos, noivos...você já ouviu sobre o Motim das Mulheres?
- Não..
- O Motim das Mulheres, ou Revolta das Mulheres, aconteceu a 4 de Setembro de 1875, na cidade de Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte; nesse dia, cerca de trezentas mulheres saíram pelas ruas da cidade, em passeata, protestando contra a obrigatoriedade de alistamento militar dos homens. As mulheres fizeram de refém o Escrivão de Paz da cidade, e em praça pública rasgaram o livro e os papéis de recrutamento dos homens mossorenses para lutarem na Guerra do Paraguai. Mulheres nordestinas, armadas de pedras e pedaços de pau, invadiram repartições públicas, delegacias, para destruíres documentos que convocassem os seus companheiros para exército ou marinha. A sede do jornal O Mossoroense, o terceiro mais antigo jornal do Brasil e o quarto da América Latina foi o principal palco do motim. Entre as líderes da revolta, estavam Joaquina de Sousa, Maria Figueira e Ana Rodrigues Braga, que de espeto de ferro na mão, apontado para a barriga de um meganha, defendeu a redação da invasão ordenada por um político, que queria impedir a divulgação do levante.
Teve Olga Benário Prestes, uma judia alemã nascida em Munique em 1908, e que em 1935 veio para o Brasil para junto com Luís Carlos Prestes, montar um governo revolucionário no país, mas a tentativa falou. Olga, em 1936, grávida de Luís Carlos, foi presa e entregue à Alemanha de Hitler, e presa num campo de concentração deu à luz Anita Leocádio Prestes; e após uma grande campanha internacional pela sua libertação, Olga conseguiu que Anita fosse entregue à avó paterna, e permaneceu no campo de concentração até 1942, quando foi levada à câmara de gás nazista e morreu.
Teve Anita Garibaldi uma heroína de dois países. No Brasil lutou muitas batalhas, as mais destacadas durante a Revolução Farroupilha, Batalha dos Curitibanos na Guerra dos farrapos. Anita chegou a ser capturada pelas tropas do Império Brasileiro, grávida do seu primeiro filho, conseguiu fugir quando correu o boato de que seu companheiro, Giuseppe Garibaldi havia sido morto em combate, mas, depois de passar dias escondida e sem comer, junto com outros revolucionários, acabou encontrando Garibaldi vivo.
E não podemos nos esquecer do número incalculável de mulheres, algumas ainda meninas, que lutaram contra a ditadura militar no Brasil, pegando em armas, enfrentado as tropas de repressão governamental, com pouco mais que a coragem. Das que foram presas e sofreram todo o tipo de sevícia, de ignomínia, além e acima da humilhação da exposição,  a dor e o horror. Sabia que torturadores introduziam ratos na vagina das presas? Que levavam os filhos das presas e os obrigavam a assistir à tortura das mães?
- Que horror...não dá nem para pensar...
Mulheres têm demonstrado coragem nas guerras e nas revoluções que abraçam, uma Condessa Anglo-Irlandesa, Constance Markievicks, revolucionária, nacionalista, sufragista e socialista, participou ativamente dos movimentos pela independência da Irlanda, incluindo a participação na Revolta da Páscoa, a mais importante revolta da Irlanda levada a efeito pelos republicanos irlandeses no intuito de conseguires a independência em relação ao Reino Unido; a revolta durou de uma segunda feira, 24 de Abril a trinta de Abril de 1916; depois de seis dias de combate, os líderes foram presos e em pouco menos de uma semana, julgados em tribunal marcial e condenados á pena capital. Constance, também sentenciada, por ser mulher teve a sua pena cancelada, mas quando o promotor leu a anulação da pena, ela apenas respondeu:
Eu realmente queria que a sua laia, tivesse a decência de atirar em mim!
Foi das primeiras mulheres no mundo a ser nomeada ministra – do trabalho da República da Irlanda, entre 1914 e 1922 – e também a primeira mulher a ser eleita para a Câmara dos Comuns em Londres, posição que ela rejeitou.
Mulheres lutaram também com a inteligência, Nadezhda Krupskaya, quase só conhecida como a companheira de Lênin, foi uma  política revolucionárias bolchevique, integralmente envolvida em atividades políticas, projetos sociais e educacionais. Antes da revolução soviética foi secretária do jornal político ISKRA, gerenciando toda a correspondência que atravessava a Europa, em que uma grande parte necessitava ser codificada. Depois da revolução se dedicou à melhoria  das oportunidades de educação para operários e camponeses, por exemplo, lutando – e conseguindo – tornar as bibliotecas disponíveis a toda a população. E foi Ministra da Educação da URSS, de 1929 a 1939, ano da sua morte.
Muitas deram a vida pela causa. Sophie Scoll, uma das fundadoras da resistência não violenta ao nazismo, um grupo que se intitulava de Rosa Branca e promovia ferrenha resistência ao regime de Adolf Hitler através de campanhas anônimas e panfletagem. Em Fevereiro de 1943, ela e outros membros foram presos por entregarem panfletos na Universidade de Munique, e sentenciados à morte pela guilhotina.
- Estou com fome!
- Eu também.
- Vamos descer?
- Vamos, tomar um banho antes.
- Vou junto...quer ajuda? (Risos)
- Quero...(Risos)

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Do alto da duna, surgiu uma mulher flutuando!
Há momentos mágicos, mistura de surrealismo e beleza agreste que elevam o vivente a um plano acima do terreno, e que depois são inexplicáveis, parecem improváveis.
Sentado na tira de sombra da duna que estreitava com a proximidade do sol a pique do meio dia, tendo como proteção a uma areia invisível, trazida pela brisa que, de tão leve não se sentia, mas que entrava pela boca, nariz e orelhas e queimava, cortava a pele, a carroceria do Jeep, proteção modesta, insuficiente, língua e garganta secas no quase desmaio de desânimo, olhos fechando na sonolência doente, o lenço que protegera a boca e nariz da impertinência da areia fina já meio caído sobre o peito, não mais sabia como lutar pela vida. Não que tivesse desistido, decidido pela entrega, apenas não mais conseguia pensar em uma atitude de defesa, e uma lassidão foi tomando conta do corpo e da mente, já não era mais que uma sensação de paz, de bem estar.

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Nos tornozelos e nos braços, argolas de cobre e bronze de enfeite e indicativo de condição no grupo tribal; nova pela aparência e por ainda não trazer os peitos intumescidos e de uma forma ovalada, com os mamilos salientes e de coloração um pouco mais escura e que apontavam para cima, livres do pano ou cinta achatadora das moças nubentes. A pele, de um castanho pouco carregado, e protegida também por uma pasta, igual à que passara no corpo dele, adivinhava-se macia, como um veludo natural. Uma Kuwale portanto, com algum sangue KöiSan denunciado pelos olhos amendoados.
Agachada na azáfama de o tratar, deixava por vezes e instantes entrever o entre pernas, coberto por uns cabelos enrolados não muito densos; a visão lhe provocou uma ereção forte, doída e indisfarçável, logo notada por !Ndjae, que apenas o olhou nos olhos, sorriu e sem parar os cuidados falou:
- Hoodya!(1)

(1)   Cacto Hoodia, encontrado nos desertos da Namíbia e Kalahári, na verdade o mesmo deserto, é usado há séculos pelos KöiSan, como inibidor de apetite e eficiente afrodisíaco. Os homens o consomem em pequenas porções quando saem em expedições de caça e chegam a ficar dezesseis e dezoito horas sem apetite ou fome. Também os consomem nas festas de fertilidade, atribuindo à planta, ereções rápidas e demoradas.

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                                                CONVERSA NUM 9°º ANDAR

- (Risos)
- Tem mesmo esse cacto hoodia, ou você inventou agora para me enganar?
- Sim, o que você acha que eu tomo logo de manhã?
- (Risos)
- Tonto...tá vendo, não dá para acreditar em você?!
- E tem também o Pau de Cabinda para os mesmos fins.
- É?
- Sim, mas esse eu tomo de noite!
- (Risos)...e como é?
- É a casca de uma árvore da Floresta do Mayombe, em Cabinda, que dizem que chega a causar pânico na mulherada nos kimbos, quando os homens bebem a infusão da casca; as mulheres andam dois dias de bunda encostada à parede...
- (Risos)
- É desta árvore que se extrai  a Ioimbina, substância que trata os broxas psicológicos.
- Ah fala sério, nunca sei quando é que você está brincando...
- É poderosíssimo, para você ter uma ideia, é usado em veterinária para touros e cavalos reprodutores.
- Ahh...pára com isso e conta.
- Parar o que? De tomar ou de falar?
- De falar besteira (Risos)
- Mas é verdade...
- E o mercenário foi mesmo executado?
- Todos os mercenários apanhados pelas FAPLA foram julgados, e uma parte deles receberam a pena capital.
- Mas esse foi? Sou xereta, você sabe...
- (Risos)
- Se foi não tenho dó!

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- E em África?
- Sim...bom...a maior guerreira de todas as guerreiras que já houve e haverá neste mundo foi africana, N’Zinga M’Bandi, também conhecida como Rainha Ginga...modestamente minha ta ta ta taravó...risos
- Metido!
- Um dia lhe conto a história dela, uma mulher que reinou, ampliou os limites do reino, comandou um exército fantástico contra a ocupação colonial, que se vestia de homem e tinha um harém de maridos usando trajes femininos, e cujas principais assistentes eram duas de suas irmãs.
Um país africano cujas mulheres são conhecidas pela combatividade é o Daomé...
- Não são muitas se comparadas com os homens...
- Verdade, mas as mulheres sequer tinham treinamento de combate, de guerra ou de caça, as funções lhes eram restringidas ao cuidado da prole e da agricultura, como é normal a poligamia, e as mulheres de um grupo familiar consideram todos os filhos, como sendo filhos de todas, por vezes fazem um acerto para uma ficar com as crianças e as outras vão trabalhar nas lavras, do contrário, vão trabalhar com os filhos nas costas. Os homens eram exclusivamente caçadores e guerreiros, mas teve a Rainha Makeda, Rainha de Sabá, nome verdadeiro da rainha da Etiópia, mulher do rei Salomão e que ficou na história pelas guerras que liderou,  Rainha Kahina que morreu lutando contra os árabes no Norte de África, a Rainha Hamina Mohamus uma mulher guerreira muçulmana, companheira de Zazza, no que é hoje o centro norte da Nigéria, N’Datté Yalla do Senegal – Reino Warlo – Rainha Ídia do Benin, Ynnenga Svarte, guerreira considerada a mãe do povo Mossi, de Burkina Fasso.

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Contornando o grupo de bananeiras, viu-a sentada na rocha junto da piscina, que pouco sobressaía da superfície espelhada. Ela também girou a cabeça para ver quem chegava, e tornou a olhar o musgo do fundo. Não respondeu ao cumprimento – pandya! – nem desviou o olhar.
Ao longe, vindo do kimbo, a brisa suave trouxe uma toada pungente, acompanhada de um melancólico tchissange e de um tambor pequeno – ombia yienene – ela levantou-se e aparentando não notar a presença dele, cabeça de cabelos muito curtos virada para cima, iniciou uma breve dança de contorções, acompanhada por movimentos dos pés e das mãos, o corpo perfeito de pele escura brilhando sedosa,  os peitos médios, o ventre, as coxas e bunda, tudo de forma independente, mas que de alguma maneira participavam da forma harmônica da dança, não apenas em sincronia com o ritmo, mas como se participassem de um diálogo em que o ritmo dava o mote. Uma dança franca, sensual, sexual mesmo, e então pegou o pano “pintado” que enrolou em volta do corpo, e se afastou, não pela presença dele, à qual se mostrou indiferente, mas apenas por ser hora.
  Sim, um homem pode apaixonar-se à primeira vista!

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- (Risos)...tá, mas me diga, valeu a pena o preço em sangue?
- Claro que sim, não se pode estipular um valor para a liberdade, e o sistema colonial era a antítese de liberdade para os povos colonizados, se há alguma coisa pela qual vale a pena lutar, acredito que seja pela liberdade.
O colonialismo é uma violência sangrenta, não apenas a anulação de costumes e culturas, não apenas o domínio humilhante sobre o povo subjugado. Para subjugar, a violência tinha que ser o carro chefe, a ponta de lança do sistema. O jugo, a  submissão forçada só era possível através  do terror, e foi a tática usada por todos os conquistadores, não apenas em Angola, no mundo todo e desde que o mundo é mundo. Conquistadores eram sempre numericamente inferiores, poucos em relação ao povo a ser submetido, então a tática do domínio era ( e ainda é, veja-se o caso da ditadura militar aqui no Brasil, nas do Chile, Argentina, isto para citar apenas na América do Sul e recentes) a psicologia do terror, da intimidação, de quebra das estruturas culturais e de segurança, pavimentadas pelo povo a ser subjugado, submetido, a crueldade física era a ferramenta de domínio, a par com o rebaixamento de moral, de orgulho étnico, por parte do dominador, instituiu-se o pagamento de impostos por exemplo, e havia todo um sistema administrativo colonial, para extorquir e castigar fisicamente os que não pudessem ou não quisessem submeter-se ao roubo humilhante do pagamento de imposto ao usurpador; uma grande parte do povo angolano, composto de camponeses que produziam apenas para a sobrevivência e subsistência familiar, grupal, ou de trabalhadores braçais dos contratos com os fazendeiros (voluntários contratados foi o eufemismo escolhido para a escravatura disfarçada; homens em boas condições físicas eram caçados e levados a trabalhar nas fazendas e roças de café, com um salário simbólico e a eterna dívida com o fazendeiro feudal. 

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                                                  CONVERSA NO CARRO

- Gostou da história das kitatas?
- Gostei, mas fiquei com pena da Sapalo, não queria que tivesse morrido! (Risos)
- Hum...se gostou então vou continuar no tema!
- Mais de kitatas??
- Sim mas não de guerras ou guerrilhas...sem tiros...chega de tiros...
- Como assim??
- Ora de putaria só, vou contar os detalhes, os pormenores mais escabrosos, mais escarchados e pornográficos da vida airada delas!
- Bobo...ahhh...tenha santa paciência.(Risos)...parece que não tem mais o que fazer...
- Humm...tenho...vamos?
- (Risos)
- Mas  taí, paciência, tem gente que diz que são mulheres de vida fácil, mas que nunca pensaram na dificuldade que deve ser atender a um bebum às quatro horas da manhã no inverno!
- (Ridos)...
- Paciência, Santa Paciência é do que precisam e deveria ser a Santa da devoção de todas as putas!
- Pronto lá vem, só você para inventar agora uma Santa Paciência!(Risos)
- Estou inventado não, teve vida real, foi imperatriz do Império Bizantino.
- As coisas que você inventa, com essa cara séria! Império Bizantino!!(Risos)
- Mas é verdade, depois você faz uma pesquisa básica e confirma, vai ver como tenho razão. Chamava-se Helena Dragas, e casou com o Imperador Manuel II, que foi o penúltimo imperador cristão de Constantinopla...
- Ah...draga é coisa de garimpo, e Manuel...nessa não vou cair não, desta vez você não me pega, não vou acreditar mesmo.
- Mas não estou inventando!
- E Santa ainda por cima!!
- Santa, foi santificada porque o marido, o Manuel, era um chato de galocha que tinha uma crise existencial que a irritava demais, não sabia se se constantinopolitanizava de vez, ou se se desconstantinopolitanizava para nunca mais...
- (Risos) tá vendo...(Risos)
- ...e a paciente Helena, que tinha um saco de paciência que parecia não ter fundo, um dia, lá pelo ano de 1425, pela primeira e única vez na vida, sentiu o saco abarrotado e rodou a baiana. Chegou junto do maridão, que estava a tratar de assuntos do mais urgente kilate com assessores, botou as mãos na cintura e falou:
- Manelzinho (como o tratava na intimidade), se decida de uma vez, ou bem se constantinopolitaniza, ou ou bem se desconstantinopolitaniza, mas tem que decidir hoje, porque se não se decidir, amanhã chuto o balde  e de seguida o pau da barraca, num güento mais!
- (Risos)
- O imperador, que não estava acostumado, nem gostava de ser confrontado na frente de ninguém, menos ainda que ela o chamasse pelo nome da intimidade na frente de terceiros – nos escurinho do quarto imperial ele pulava era baixinho – ficou vermelho e falou:
- Dona Helena Dragas – quando estava irritado com ela a tratava pelo nome completo de solteira – se for do seu agrado chute o que quiser, mas hoje ninguém me obriga a decidir nada! E não se fala mais nisso, senão é pior!!
 - (Risos)
- Sabe o que que ela fez?
- (Risos)...não...
- Empinou o narizinho – que aqui para nós, vindo daquelas bandas, Bizâncio/ Constantinopla, Grécia e tal, devia ser uma napa de nariz – fez HUMPF, virou as costas e foi para os aposentos imperiais colocar umas roupas simples numa sacola, e no dia seguinte, logo a seguir ao café da manhã, botou o pé na estrada e deu entrada num convento, tendo adotado o nome de Ypomonia, que em constantinopolitez, que é diferente do bizantinez pós moderno apenas nos ditongos...
- (Risos)
- ...quer dizer precisamente paciência!
- E por lá ficou, até que em Março de 1450 ela esticou as canelas e foi-se desta para uma melhor, morreu na santa paz, e o dia dela é o dia 29 de Maio, que é o dia da queda de Constantinopla, ou o dia da desconstantinopolitinização, termo preferido  por Confùcio...
- Agora Confúcio também é? (Risos)
- ...pelas forças otomanas. O crâneo de Ypomonia, é uma relíquia, e está preservado no Mosteiro de São Patápio na Grácia!
- (Risos) e os nomes que você inventa!! Vê se eu vou acreditar que existiu um São Patápio!!! Só falta izer que era primo direito da Maga Patalógica! (Risos)
- (Risos)
- Mas você é teimosa!! Já falei que é verdade... bem, não importa, sei que depois você vai pesquisar mesmo...mas ela é venerada pelas igrejas ortodoxas Grega e Sérvia, e ficou conhecida para a história como uma mulher muito bela, e plena de justiça, sabedoria e piedade.
- (Risos)...
 - Entre outras coisas ela foi uma das fundadoras de uma casa de repouso para idosos, que se chamava “A Esperança dos Desesperados”...
- (risos)...vou acabar fazendo xixi...
- Esse lar de veínhos ficava junto do Mosteiro de São João, em Petrion, onde estavam guardadas as relíquias de São Patápio de Tebas...
- (Risos)
- Uma das razões dela ficar de saco cheio com a dúvida existencial do marido foi que...
- (Risos)
- ...imagine você que o pai dela também se chamava Constantino, o Constantino Dragas, um senhor provençal sérvio que vivia saindo de casa, para as guerras que o patrão dele, o Sultão Otomano Bajazeto arrumava pela aí...
- (Risos)
- ...e quando o coroa não estava em casa, a mãe ficava falando o nome do marido pelos cantos do casarão, Constantino, Constantino...desde que acordava, até adormecer de novo.
- (Risos)
- Era uma tortura para a menina Helena!
- (Risos)
- Depois que o pai morreu lutando contra Mircea Primeiro o Valáquio (não teve mais nenhum Mirceia, mas o Mirceia original era prevenido), aí a véia pirou de vez...
- (Risos)
- Chegamos! Acho que em uma outra encarnação eu fui sapateiro valáquio e me chamava Zeno. Um dia ainda faço a hipnose da reversão só para confirmar!
- Tonto!

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