Livro: Vargas San Ramón e a Guerra do Fim do Mundo


Cheguei, vi e venci!
( Júlio Cezar, Imperador Romano )


Ave, Cezar, os que vão morrer te saúdam!
( Gladiador antes de apresentação no Coliseu )


A Guerra das Bananas
( K.H.Pope )


La Nave vá ...
( F. Felinni )


Quando o mar bate na rocha, é o marisco que se Fujimori!
( Refrão nas casernas de Lima )



Conheceram o Aparício Hipólito Abran Rocha, na época em que os demônios do pôcker, impondo-se de maneira tirânica sobre todos os outros demônios que os atormentavam, os levavam a varar noites e madrugadas na picardia do blefe, “do dobro, do repico”.

O Aparício, Oficial recém chegado à Unidade vindo de Lima, era o mais perfilado, engomado e marcial militar que já fora visto por tais plagas; a continência do Aparício, aos olhos daqueles oficiais desleixados na postura pela vida da unidade na selva, parecia  evocar gerações de brilhantismo militar.

E contudo, apesar dos vincos impecáveis na farda, do boné colocado no ângulo rigorosamente correto, como que calculado a transferidor, da elegância estudada no caminhar, como que em constante parada, do cabelo de corte impecável e da barba escanhoada, parecia singularmente torpe, de uma feiúra e falta de graça obscenas, quando em companhia da mulher.

Carmem Abran, a mulher do tenente Aparício – mais tarde apelidada de mulher de Putif Rá – era um deleite de graça e sensualidade.

Uma loira – autêntica se saberia depois – mignon e rolicinha, com um par de pernas aprimorado – e um veludo, confirmaria mais tarde o tenente Rudolfo aos parceiros de jogatina – cintura fina que se espraiava por umas ancas generosas, mas que não fugiam ao equilíbrio gostoso da proporção perfeita; os peitos médios com a consistência da gelatina desenformada – segundo Rudolfo – uma pele macia de bêbê, na cor leitosa que nem o sol tropical consegue manchar.

E os olhos? Ahh, os olhos!

Grandes e de um azul profundo e luminoso, que irrequietos rodavam em convites explícitos a práticas pornográficas, enquanto todo o semblante permanecia angelical e a postura puritana só era traída pelo balançar cadenciado e hipnótico do bumbum.

No tenente Rudolfo, a chegada de Carmem à unidade desencadeou uma série de reações que foram do ar abstrato, quase cataléptico, ao frenesi de como presentear a heráldica testa do Aparício com um par de chifres ornamentais e retorcidos, que lhe acrescentassem um toque Viking ao conjunto bélico; falta imperdoável no entender de Rudolfo, passando por um tesão recolhido e incômodo como uma íngua.

Aproximou-se do Aparício, desencavando dos recônditos da memória, obnubilada pela presença e aroma de Carmem, regras e preceitos militares, táticas de guerra  clássica e de guerrilha, armas e armamentos, balística e sapa, aprendidos a duras penas na Escola de Guerra.

Passou a ser presença constante no alojamento de casados.

Desdobrava-se em rapapés e salamaleques respeitosos com a Carmem, na presença do Aparício, mas quando o via pelas costas, mudava o tom e vinham os elogios picantes e as piadas pesadas.

Ela? Adorava!

Ruborizavam-se-lhe as maçãs do rosto, mas o sorriso safado e um indisfarçável frêmito que lhe descia pela espinha, deixavam claro o efeito que os ditos chulos causavam nela.

Rudolfo levou o Aparício para as rodadas de pôcker e iniciou-o nas artes do “passo e pago para ver”.

Ao tenente Aparício, o que lhe faltava em picardia e malandragem para o blêfe, para a percepção do momento oportuno, para as sutis mudanças dos rictus faciais ou dos tiques nervosos denunciadores, sobrava-lhe em sorte, nas mãos constantes de Full And, Four e Flush  vários, do Royal Street às seqüências mais simples em naipe.

E seguia ganhando, com a satisfação bovina frente a um bom pasto, enquanto os outros parceiros, olhares vítreos, viam sumir numa constante inexorável, os soldos dos meses seguintes.

O Rudolfo se desinteressou do pôcker assim, de repente.

Quando o jogo começava a esquentar, bocejava, despedia-se e  afastava-se lentamente, com um  “boa sorte” para todos.

Do lado de fora da sala de rádio, onde se davam os entreveros do carteado, respirava fundo para expulsar dos pulmões as nuvens de fumaça que enevoavam o ambiente, olhava em volta para ver se não havia testemunhas inoportunas, caminhava com ginga preguiçosa o espaço que separava as salas de operação dos alojamentos, pulava num movimento ágil o muro baixo, mimetizava-se às sombras da varanda e entrava subreptíciamente  na casa e no quarto do casal Abran Rocha.

Lá, em pacientes e delicados gestos, desnudava e explorava cada centímetro do corpo alvo de Carmecita; dos pezinhos trinta e seis, à parte posterior do pescoço – onde mordidas de leve arrancavam gritinhos nervosos e lhe eriçavam os bicos dos  mamilos rosados – não deixava pedacinho por saborear; e no auge do tesão tomava-a de assalto, virava-a de ponta cabeça, comia e lambuzava-se.

Como soldado vencedor não deixava área conquistada – planícies, colinas ou vales – sem ação presente de soberania, e com pouco tempo de descanso entre os embates, que é dura a vida de um militar, e o que garante a vitória é a constante vigilância.

Na hora aproximada do início das rodadas de fogo, mudavam o local do corpo a corpo para a sala de estar, melhor ponto de observação, e então Carmecita se colocava de joelhos numa poltrona de espaldar  baixo, ventre colado no encosto da poltrona, as pernas  separadas para facilitar a ação do inimigo e a cabeça ligeiramente de lado para espiar pela brecha da cortina, atenta às portas da sala de operações, não fosse  o Aparício sair antes da hora e a surpreender sendo atacada pela retaguarda, por um inimigo cruel que, aríete em punho, não fazia cerimônias, invadindo o local que ele próprio, cavalheiro respeitador e esposo legítimo, com um casamento abençoado por um Bispo e dois Capelães militares, só ousava explorar em pensamento, e assim mesmo com massacrante sentimento de culpa.

No subilatório só com mulheres de rua!

Desse jeito ficavam Rudolfo e Carmecita, num engate canídeo, fungando e resfolegando, até que os jogadores, alta madrugada, interrompiam o jogo para descanso.

Então era colocada em prática a TRRT – Tática de Retirada Rápida e Temporária.

Desengatavam e Carmem ia para o quarto, onde minutos depois o marido a encontraria em sono profundo e tranqüilo, tão repousante que nem ousava acordá-la; Rudolfo, roupas recolhidas num só gesto do lugar onde sabiamente ficavam dobradas num pacote maneiro, pulava a janela que dava para a parte traseira do alojamento de solteiros, onde os outros companheiros, se por um acaso resolvessem entrar no quarto dele, também o encontrariam dormindo a sono solto.

Assim viveram por vários meses  todos felizes.

O tenente Aparício porque ganhava no jogo e via a esposa resignada e adaptada à vida no Vilarejo onde ficava a unidade – podia-se dizer até, sem risco de erro ou exagero, que feliz, muito feliz.

Carmen Abran Rocha, porque punha em prática todas as safadezas que a educação rígida do marido não lhe permitia sequer imaginar pouco tempo atrás.

Além da intuição para toques e técnicas, tornara-se de uma criatividade contorcionista de fazer inveja aos Yogas.

Rudolfo porque conseguia enfim atenuar as saudades que sentia de Bebela, uma morena com cor e gosto de fruta tropical e um cheiro morno de mato, em cujos territórios praticara antes os exercícios de guerra.

A turma do pôcker porque tinha a satisfação mesquinha de dizer, com fortes fundamentos e razões, cada vez que terminava o jogo:

n Sorte de corno!

Mas nem sempre a sorte protege os audazes, pelo menos não sempre, e no mundo há muitos invejosos destilando veneno.

Cartas anônimas apareceram por baixo de todas as portas de alojamentos de casados e solteiros, contando em detalhes  a história da perfídia.

O escândalo  deflagrou como granada defensiva, e abalou não apenas a unidade, mas uma boa parte da vida militar.


                                                            - “ –

As razões de Sixto Duran Ballén para reatar a guerra com o Peru;

-         Sixto Duran vinha enfrentando problemas  no Governo desde 1988. Nesse ano, a guerrilha Alfaro Vive ocupou as Emissoras de Rádio de Quito, em aberta oposição e ele, então candidato à Presidência da República.

Em Setembro de 1992, um mês após assumir a Presidência da República do Equador, lança um plano de austeridade que não foi bem recebido e dá origem a protestos, com diversos graus de violência.

Após atentados a Quito e Guayaquil, para conseguir o apoio do exército, vê-se obrigado a fazer grandes concessões, entre elas, dar ao exército poderes policiais. Mesmo assim é decretada uma greve geral que paralisou o país e minou o apoio do Congresso a Duran, que perde prestígio e vê três dos seus Ministros de Estado sofrendo tentativas de impeachment. A insatisfação com os aumentos dos preços dos alimentos e combustíveis, a desvalorização da moeda e o congelamento de salários, bem como atitudes ultra conservadoras, dão origem a novas greves, a atentados e ao aparecimento de novos grupos rebeldes.


-         A CONAIE, Confederação  das  Nacionalidades  Índias  do  Equador,  controlada pelos
Estados Unidos e pelo   Christian Church World Council, que produziu um documento que retrata bem as intenções do primeiro mundo em relação à Amazônia; o documento, publicado na revista Afinal, na edição de 11 de Abril de 1980, diz entre outras barbaridades que: “É nosso dever garantir a preservação do território Amazônico e de seus habitantes aborígenes, para o seu desfrute pelas grandes civilizações Européias, cujas áreas naturais estejam reduzidas a um limite crítico”.

Para tal, --  vem expresso no documento, como as instruções num manual --  fomentam através de pseudo missionários a luta de classes, alfabetizam os índios no dialeto nativo, levando-os a perder a identidade e consciência Nacionais, fomentam o racismo através de lógicas sofismadas que exacerbam a condição e valores dos autóctones em detrimento do povo do país – o índio é melhor do que o branco – angariam apoio de pessoas ilustres e de destaque na mídia, na literatura, na política, na música e nos meios artístico e esportista em geral, que se prestem à ação, ao discurso convincente, à propaganda a essas idéias mascaradas de  sensato escopo preservacionista, e cuja presença atraia novas adesões.

O documento, produzido em Genebra no Primeiro Simpósio Mundial sobre Divergências Inter Étnicas na América do Sul, e liderado também pelo “Comitê Internacional de la Défense de l’Amazonie,  Inter American Indian Institute, International Ethnical Survival, International Cultural Survival, Work Group for Indigenous Affairs e Berba-Geneve Ethnical Institute”,  essas entidades reunidas em Genebra, atribuem-se ainda o dever de:

“Quote”  ...”manter a floresta Amazônica e os seres que nela vivem, como os índios, os animais silvestres e os elementos ecológicos, no estado em que a natureza os deixou antes da chegada dos europeus. Para tanto, é nosso dever evitar a formação de pastagens, fazendas,plantações e culturas de qualquer tipo que possam ser consideradas como agressão ao meio”. O documento reivindica uma forma  jurídica para tais áreas, incluindo a propriedade da terra, que deverá incluir o solo, o sub-solo e tudo o que neles existir, tanto na forma de recursos naturais renováveis como não renováveis. É nosso dever evitar, em caráter de urgência, até que as novas nações estejam estruturadas, ações de mineração, garimpagem, construções de estradas, formação de Vilas, fazendas, plantações de qualquer natureza”.

Outro item do documento é bastante esclarecedor: “É nosso dever conseguir o mais rápido possível Emendas Constitucionais no Brasil, Venezuela, Colômbia, Equador e Peru, para que os objetivos destas diretrizes sejam garantidos por preceitos constitucionais”.

Para o cumprimento destas diretrizes, deve-se angariar o apoio de pessoas ilustres, entre políticos, sociólogos, antropólogos, geólogos, autoridades governamentais, indigenistas e outros de importante influência, como é o caso de jornalistas e seus veículos de imprensa.

“Deve-se alfabetizar os índios em suas línguas maternas, incutindo-lhes coragem, determinação, audácia, valentia e até um pouco de espírito agressivo, para que aprendam a defender os seus direitos, é preciso levar em consideração que os indígenas desses países são apáticos,  sub-nutridos e preguiçosos. É preciso que eles vejam o homem branco como inimigo permanente, não somente dele índio, mas do sistema ecológico da Amazônia”. “É preciso insistir no conceito de etnia, para que desse modo seja despertado o instinto natural de segregação, do orgulho de pertencer a uma nobreza étnica, da consciência de ser melhor do que o homem branco”. “Na hora de mapear as nações  indígenas, deve-se maximizar as áreas, sempre pedindo três ou quatro  vezes mais, sempre reivindicando a devolução da terra do índio, pois tudo pertence a ele”. “ Dentro do território dos índios deverão permanecer todos os recursos que provocam desmatamento, buracos, a presença de máquinas pertencentes ao homem branco. Dentre esses recursos, os  mais importantes são riquezas minerais que devem ser consideradas como reservas estratégicas das nações, a serem exploradas oportunamente”.

Unquote - do Jornal Folha de São Paulo, de domingo 12 de Fevereiro de 1995, caderno Mais, sob o título “Uma Teocracia na Amazônia”.

Os participantes do simpósio consideram a Amazônia patrimônio da humanidade. “A posse dessa imensa área pelos países mencionados é meramente circunstancial, não só por decisão de todos os organismos presentes ao simpósio, como também por decisão filosófica dos mais de mil membros que compõem os Conselhos de Defesa dos Índios e do Meio Ambiente.

( No Brasil, as determinações do simpósio vêm sendo acolhidas ao pé da letra, com aumento das demarcações de  áreas indígenas, sempre que se descobrem novas reservas minerais, e cobrindo as mesmas. A preocupação é unicamente com as tribos assentes em regiões ricas, que se tornaram os maiores latifundiários do mundo. Ninguém perde tempo com tribos em via de extinção, em cujas áreas não haja riquezas a ser exploradas).

Mas o CONAIE dizia, e quase perco o fio à meada, aproveita-se deste momento de fragilidade do Governo, para exigir maior controle dos três milhões de acres da faixa Amazônica, e reclama da exploração de petróleo na Amazônia  Equatoriana, alegando que ameaça Parques Indígenas.


-         Outros Presidentes o fizeram, em 1961 e 1981.

-         Era o Presidente porra, fazia o que queria e não tinha satisfações a dar a ninguém, ou já não mandava nada nesta joça?

Com todo este caldeirão de insatisfações, políticas e econômicas fervendo,  uma guerra só podia beneficiar o Presidente, independentemente do resultado  final, e isto porque:

-         Se lograsse ganhar a guerra e recuperar a faixa de setenta e oito quilômetros  usurpados pelo Peru em 1942, seria um herói para todo o povo.

-         Ganhando ou não, uma guerra tem sempre a vantagem  de conglomerar todo o povo, num nacionalismo obtuso, contra o que, manipulado, acredita ser um inimigo comum.

-         O povo coeso contra um inimigo fora, tende a esquecer os problemas internos, ou pelo menos releva-los, e dirigir as frustrações internas para esse inimigo comum.

-         Perdendo a guerra, o adversário passaria, aos olhos do povo, a ser o único responsável por todos os problemas internos e externos.

-         Apenas dez por cento da população o apoiava, e o Parlamento estava sob controle da oposição. Precisava de um bode expiatório com toda a urgência.

-         Em último  caso, havia sempre a saída diplomática, dar o dito pelo não dito.

Mas não eram só essas as razões , havia outra, pessoal e oculta, que remontava à antiguidade, à Grécia Antiga.

                                     
                                                      *                    *                    *

As Amazonas – termo que significa guerreiras – eram uma antiga tribo guerreira, só de mulheres, que rendiam culto na Mitologia Grega, a Arthémis – Diana para a Mitologia Romana – deusa da caça e da fertilidade.

Em certa época entraram em guerra com Teseu, que triunfou e subjugou a Rainha Amazona.

Com a derrota, ficou patente o fim da tribo das mulheres de um só seio – amputavam o outro para melhor manejar o arco e flecha --  mas, marinheiros Fenícios por elas aprisionados, lhes haviam falado numa terra  no extremo Oeste, onde só viviam povos primitivos, e  onde  podiam encontrar-se rios de ouro.

As Amazonas concluíram que podiam chegar a essa terra, navegando para o Ocidente, a partir da costa de África.

Foi montada uma esquadra com trinta navios de guerra, pequenos e leves, nos quais cerca de duas mil mulheres guerreiras se lançaram à aventura. As Amazonas encontraram a tal terra, ao cabo de muitas tormentas e tempestades, e rumaram para o interior, subindo um grande rio, ao qual deram o nome Amazonas, por ser poderoso e belo que nem elas. O rio serpenteava por densa floresta, pejada de aves e animais desconhecidos e muito coloridos.

Num trecho onde o rio se formava a partir de dois outros, um deles de águas negras, incursionaram por terra até um lugar onde o sol brilhava de dentro da terra, refletindo montanhas de ouro puro na superfície espelhada de uma lagoa de águas límpidas, alimentada por um outro rio menor, cujas águas despencavam em uma cascata cristalina.

Aí se estabeleceram, mas cerca de trezentas guerreiras receberam a incumbência de voltar e chamar as que haviam ficado.

Entretanto, no retorno ao local de origem, talvez através do Bósforo, descobriram que as remanescentes de sua tribo tinham sido perseguidas e aniquiladas pelos inimigos, massacradas até à última.

Então, perseguidas elas também, partiram para se esconder nas montanhas onde construíram o Templo à sua protetora, e onde esconderam relatos da viagem à nova terra, acompanhados de mapas, que eventualmente pudessem  servir de orientação a sobreviventes.

As que ficaram na nova terra, eram tão ciosas do seu território e bens materiais conquistados, que intrusos por elas apanhados nas cercanias dos domínios tribais, eram feitos prisioneiros por um período suficiente para procriarem, depois do que, ou eram sumariamente executados, ou  era-lhes cortada a língua e vazados os olhos, para jamais poderem revelar ou indicar o caminho, e largados à própria sorte na floresta, para serem devorados por predadores.

Em Fevereiro de 1976, escavações no Templo de Diana, trouxeram à luz  do dia fragmentos bastante conservados dos documentos escondidos pelas guerreiras.

Cópias de alguns desses documentos, foram compradas em 1979 por um barão do  narcotráfico, que se dispôs a pagar uma pequena fortuna por elas, e ficaram esquecidos nos cofres da fortaleza até 1986, quando, durante uma ação policial a fortaleza foi abandonada e as cópias dos documentos, classificadas como sem valor, ficaram no espólio remanescente.

Um preso político, estudante de História, de nome Hernando José Duarte y Osório teve acidentalmente acesso a esses documentos e, muito embora não os tivesse identificado, apercebeu-se do valor dos mesmos e quando saiu da cadeia, em meados de 1988, revelou o assunto a um dos professores da faculdade, que por coincidência era o conservador do Museu de História do Equador, em Quito. Esse professor, D. Albierto Hernado de Souza  Amorín, pediu ao então candidato à Presidência da República, D.Sixto Duran Ballén,  que intercedesse no sentido de conseguir esses documentos para o Museu.

Sixto Duran conseguiu e muito se interessou por eles, acreditando inclusive ter identificado a terra das Amazonas como a região de Tihuinza.

Esse o motivo secreto e inexpugnável. Não o confessava a ninguém por medo do ridículo ou da chacota, de ser tomado por tolo, perder por completo o respeito e a credibilidade. Temia fazer papel de bobo diante da Nação; mas acalentava a esperança de achar  a montanha de ouro, rechear os cofres do país – depois dos pessoais – ser definitivamente o salvador Nacional, pagar dívidas externa e interna, guindar o Equador ao seleto e restrito primeiro mundo.

Medidas práticas já tomara, requerendo em nome de  parentes e  pessoas da sua confiança, os direitos de mineração do sub-solo da região toda. Os alvarás das concessões, emitidos pelo Departamiento Nacional de la Indústria de Mineración  de la República  Equatoriana, guardava-os junto com confortável espólio – nunca se sabe lo que sucederá mañana – em seguro cofre fora do Equador.



- Vargas San Ramón  e a Guerra do Fim do Mundo

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